26 julho 2017

Desafio Palavras quase Perfeitas: Solidão!


" Solidão é o modo que o destino encontra para levar o homem a si mesmo.(Hermann Hesse)"

 Crescendo como filha única sempre me foi natural passar partes do tempo com meus botões, criar amizades imaginárias, falar com os peluches ensinando-lhes coisas da escola e até ter como companheiro de risos um cão amigo fantástico.
 Para mim a solidão equivale à noite, a parte do dia em que o silêncio dos outros nos permite acertar a alma e ouvir os sonhos falarem de como os devemos concretizar; e gosto da noite, das estrelas iluminando-me os passos, do leve burburinho dos pássaros que regressam aos ninhos, gosto do vento suave que pelo fim de dia começa a deixar-se escutar e me traz palavras doces dos que estão ausentes temporariamente.
 A solidão é um estado de ausência que pode ser temporário ou absoluto quando encerra nele a morte física dos que amamos; podemos usar estarmos sós para nos reencontrarmos, para realinharmos o coração com o que de facto mais importa, nos motiva e nos move.
 Gosto de me sentir só em alturas de apuro, quando meu cérebro se cansa de dias exaustivos no meio do caos do trabalho, dos gritos da rua, das sirenes do mundo; gosto de me abstrair, de me juntar peça por peça e de saber que tenho cura como uma boneca feita de trapos que se remenda quando a vida lhe provoca feridas.
 Na filosofia budista diz-se que só aquele que consegue estar só se pode conhecer intimamente e permitir-se estar rodeado de gente sem se sentir perdido; e eu vou tentando conquistar meus momentos de solitude, deixando que o mundo avance sem me arrastar por caminhos escolhidos ao sabor de outros.
 A solidão não tem de ser má, não deve ser punitiva nem agravar estados de quietude; a solidão inteligente e na medida certa é como uma capa de super herói que nos ajuda a conseguir atingir todo e qualquer acto de amor, de liberdade, de força interior!
 Gosto da solidão, sou solitária de pensamento mas feita de afectos e distribuidora de amor...porque um dia soube que estar sozinha não é estar só!

by Nádya Prazeres.

28 junho 2017

Desafio de Junho - Resiliência é a palavra (quase) perfeita!




"Tudo pode ser tirado de um homem excpeto uma coisa, a última das liberdades humanas: escolher a sua atitude em um determinado conjunto de circunstâncias, escolher seu próprio caminho”
(Viktor Frankl)."

 O médico psiquiátrico austríaco Viktor Frankl (1905 - 1997) experimentou na pele durante três anos o inferno de viver em quatro diferentes campos de concentração nazis, nomeadamente Theresienstadt, Auschwitz, Kaufering e Türkheim.
 Após cinco décadas de luta Nelson Mandela (1918 - 2013) foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul tendo antes disso lutado incessantemente contra o intenso e perverso regime de segregação e discriminação racial instalado, o Apartheid.
 Estes exemplos de homens resilientes são apenas uma ínfima prova do quão fortalecido pode um ser humano sair após adversidades extremas que se supõe vergar o mais forte física e emocionalmente; a humanidade tem sido testemunha de actos terríveis, tormentas pessoais, vinganças históricas, realidades díspares que moldam as sociedades para o bem e para o mal, tem havido uma dissociação tremenda dos valores assentes na liberdade individual sem desrespeito ao próximo e tornámo-nos máquinas comandadas pela sede de poder, protagonismo oco, por capitalismo desenfreado...
 Mas pese embora tanta vergonha e tanta desilusão por aqueles quantos que semeiam à sua passagem o caos e a destruição do lar oferecido em forma de planeta uno e "mortal, de tempos a tempos a humanidade regenera-se, assume a sua verdadeira natureza animal e os seres capacitam-se do extremo valor que possuem enquantos unos e em conjunto; de tempos a tempos renasce a esperança na força humana, na pacificação de actos, na glória de feitos que engrandecem as sociedades e na resiliente capacidade humana dos povos se auto transformarem após danos aparentemente irreparáveis.
 Resiliência significa voltar ao estado normal e é um termo oriundo do latim resiliens.
 E é essa capacidade de transformação física e psicológica que determina quem consegue ultrapassar difíceis provações e renascer como mais capaz, mais forte, mais conectado com o seu interior e a natureza ao redor. É esse voltar ao estado perfeito que separa os mortais dos "imortais", os resignados dos resilientes, os abençoados dos desavindos, os intensos dos insossos e os bemfeitores dos vilões. Porque ser resiliente não é só "coisa" de filme nem ficção científica, é a verdadeira capacidade humana na sua dimensão heróica, a única capaz de nos elevar acima das outras espécies e de nos salvar da extinção.
"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou seu passado ou sua religião. As pessoas aprendem a odiar e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto"
(Nelson Mandela)

31 maio 2017

Coração é Esperança - desafio Maio


 *Mais um desafio mensal proposto pela Cris Loureiro, no seu blog a vida não tem de ser perfeita, dedicado este mês à palavra Esperança.

Coração é Esperança

«Tudo o que cabe num coração é o necessário para uma vida preenchida, plena, robusta e saudável; tudo o que almejamos ser cabe no coração e em seus batimentos compassados com os sorrisos, abraços e beijos diários, essenciais como o ar que se respira.
 E é durante os percursos com que nos deparamos, durante as viagens que fazemos (mesmo que só mentalmente em muitos casos), ao longo das escolhas com que nos gladiamos e por entre todos os rostos que conhecemos, amamos, desarmamos, sentimos próximos, saudamos longe, que nosso coração se vai moldando para albergar tantos sentimentos e gerir tantas emoções.
 Ser-se humano é ser-se coração, mais que cérebro, e é permitir-se escolher o melhor de si e de cada um com que nos cruzamos, é ser capaz de não desistir a cada arritmia quando certos caminhos são erradamente escolhidos e ser comandante dos sentimentos básicos que nos tornam melhores pessoas a cada dia de vida; ser-se humano é entender que um coração não tem dono, é ele que nos dá a sua permissão e é através dele que devemos ver a vida.
 Quando nos permitirmos todos escutar o nosso verdadeiro sentido, que em cada batimento se faz escutar, seremos deveras felizes, estaremos completos e despidos de qualquer sentimento negativo, cuidaremos de nós como dos outros e o mundo perderá lágrimas por ganhar risos.
 Hoje acredito mais e mais que a esperança é mesmo a última fronteira, a última "coisa" a morrer porque morremos quando nosso estandarte se apaga; se não tens coração não tens esperança e se tens esperança é porque possuis coração, vermelho e radiante pulsando por cada sonho teu, albergando cada projecto teu e dando-te os sinais que te farão ser vivo!
 Eu tenho coração, é ele a minha esperança de vida!!!»

26 abril 2017

Será assim a Liberdade?

Em mais um desafio mensal proposto pela Cris Loureiro, no seu blog a vida não tem de ser perfeita, publico hoje uma imagem que reflecte o que nesta altura da vida me questiono: será assim a Liberdade, uma imensidão de afectos sem fim? Será a terra o berço da Liberdade e os homens seus carrascos?
Ou ainda falta à Liberdade passar por aqui, como escreveu o cantor Sérgio Godinho quando um país à beira-mar plantado por ela chamou?
Até lá sonho...

28 março 2017

A melancolia

 
 Em resposta a mais um desafio mensal proposto pela Cris Loureiro, no seu blog a vida não tem de ser perfeita, esta é a minha versão em poema.
  
 
« Sempre que me visitas, melancolia tardia,
meu peito inrompe em sonante desarmonia.
 De cada vez que me consomes, melancolia diurna,
minha mente divaga numa espiral soturna.
 E são negros os tempos,
chuvosas as horas
em que me esperam lamentos
e me atormentas sem demoras...
 Ai vida que és tão curta,
tão ferozmente ditosa
sem ti não saberia minha estória,
jamais seria humana e tortuosa.
 Mas sempre que me falas ao ouvido,
melancolia serena, pretensiosa
tudo em mim ganha sentido
numa descoberta gloriosa.»

Nevoeiros


«Num dia caótico de trabalho, uma aerogare apinhada de gente e voos atrasados por causa de nevoeiro, como se estivéssemos de novo no auge do Inverno, a minha mente divaga para um local onde se possa sentir mais segura, mais escondida de tanta confusão, resguardada de algum descrédito na humanidade. É difícil conter o descontentamento de dias laborais cada vez mais difíceis de gerir em sossego, é estranho perceber como as pessoas se transformam tão veemente perante adversidades temporárias e como nos surpreendemos negativamente com aqueles de quem menos esperámos tais atitudes.
 Talvez nem sempre as pessoas ajam em consciência total de que os seus actos provocam mal estar alheio, que deixam para trás ambientes pesados e desconfianças difíceis de ultrapassar, talvez também andem preocupadas, irrequietas, desiludidas mas tudo isto não deve ser razão para drásticas mudanças de atitude nem faltas de respeito para com aqueles que não são culpados por vicissitudes da vida ou azares pontuais.
 Em dias de confusão parece haver o clima perfeito para cairem máscaras, para se descobrir quem consegue ultrapassar-se e quem prefere atirar os seus erros para cima dos demais, esconder situações menos favoráveis ou ocultar o que de certo é feito pelos seus colegas de profissão. E tal como no emprego também na vida pessoal nos deparamos em dias assim com falta de camaradagem, falta de diálogo ou simplesmente com silêncios desnecessários e surpresos.
 E a vida torna-se uma roda viva de emoções oscilando entre o sol e o nevoeiro, como o de hoje que trouxe difíceis tarefas de sossegar a voz para ultrapassar desavenças; creio cada vez mais que na maioria das vezes é melhor aquietar a mente, passar despercebida, ultrapassar pacificamente as oito horas de trabalho e cumprir com as minhas tarefas com confiança de que mais dias virão sem que o "mal" esteja sempre atrás da porta...»

08 março 2017

Desafio Mulher - Dia Internacional da Mulher 08.03

 Bom dia Mulheres

 Em resposta ao desafio do grupo "vidas [quase] perfeitas, este é o vídeo musical que escolhi; a razão é simples, é uma das músicas que mais me emociona e que, infelizmente, é ainda tão realista no que concerne ao olhar masculino sobre a "utilidade" da mulher na sociedade desde os primórdios da nossa existência.
 Apesar de muitas ainda se sentirem agrilhoadas, ou o serem pelos seus pares, a luta continua necessária e parte de cada uma e de todas. Feliz dia da Mulher!!